quarta-feira, 22 de setembro de 2010

O garoto continuou parado, olhando para o lago.
Não é que ainda estava pensando se alguma vez tentou mata-la, é só que ele odiava ser observado.
Nunca sabia se deveria se mexer, ficar parado ou o que fazer quando alguém o observava, então sempre decidia se fingir de morto. As pessoas normalmente iam embora depois disso. E ela o fez.

Se virou, para ver se não era nenhum truque e se ela não o atacaria por algum ponto cego, mas no meio do caminho se lembrou de algo, algo que talvez valesse a visita. Sempre que o fazia, perguntava sobre, mas era justificavel. Era a vida dele em jogo ali, e de mais ninguém.

- Ah, sim. - Deu alguns passos mais apressados para alcançar ela, e seguiu seu ritmo quando se aproximou, ainda que deixasse uma grande e depressiva distancia entre os dois - Minha pedra.

De longe e de costas, conseguia enxergar a dor da garota. Conseguia enxergar a dor, sim, como se ela fizesse o ar ter outra cor, ou o o cheiro outro sabor. Não era nenhuma habilidade, era apenas pressentimento. E, é claro, podia estar enganado.

Mas ela não parecia ter mudado muito. E se ela não mudou, ele poderia saber que ela não estava bem. Não que fosse fazer qualquer coisa, não era de sua conta até o momento em que ela dissesse que era de sua conta, talvez que pedisse ajuda.

Mas não, não deveria ser de sua conta.

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