sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Ela parou os passos por apenas meio segundo e não se virou para respondê-lo. Não verbalmente. Licxarpis esticou o braço para cima e apontou sua frente um pouco acima, indicando a casa da árvore, escondida entre as copas frondosas do lugar.

Após isso um portal a engoliu. Esperava que ele a seguisse.

Continuava a mesma coisa de sempre, com as mesmas coisas de sempre. A única coisa que mudou é que ela não passava mais tanto tempo lá, como sempre.
E isso dava para perceber, exatamente pela falta de mudança no ambiente.
Uma cabana feita de tábuas de madeira grossa, havia alguns móveis com gavetas, duas camas bem arrumadas e um pato de pelúcia rasgado no chão, além de um urso surrado em cima d euma das camas.
Duas janelas e uma porta.

Ela estava sentada em uma das camas, arrancou um bom punhado do algodão que 'recheava' o urso de pelúcia e o colocou de lado, enfiando a mão no rasgo das costas dele enquanto procurava pela tal pedra. Quando tirou a mão, esticou o braço e a abriu, mostrando a pedra azul.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

O garoto continuou parado, olhando para o lago.
Não é que ainda estava pensando se alguma vez tentou mata-la, é só que ele odiava ser observado.
Nunca sabia se deveria se mexer, ficar parado ou o que fazer quando alguém o observava, então sempre decidia se fingir de morto. As pessoas normalmente iam embora depois disso. E ela o fez.

Se virou, para ver se não era nenhum truque e se ela não o atacaria por algum ponto cego, mas no meio do caminho se lembrou de algo, algo que talvez valesse a visita. Sempre que o fazia, perguntava sobre, mas era justificavel. Era a vida dele em jogo ali, e de mais ninguém.

- Ah, sim. - Deu alguns passos mais apressados para alcançar ela, e seguiu seu ritmo quando se aproximou, ainda que deixasse uma grande e depressiva distancia entre os dois - Minha pedra.

De longe e de costas, conseguia enxergar a dor da garota. Conseguia enxergar a dor, sim, como se ela fizesse o ar ter outra cor, ou o o cheiro outro sabor. Não era nenhuma habilidade, era apenas pressentimento. E, é claro, podia estar enganado.

Mas ela não parecia ter mudado muito. E se ela não mudou, ele poderia saber que ela não estava bem. Não que fosse fazer qualquer coisa, não era de sua conta até o momento em que ela dissesse que era de sua conta, talvez que pedisse ajuda.

Mas não, não deveria ser de sua conta.

Madrugada

- Disponha, então. - porque no fundo não tinha absolutamente nada a não ser limo e musgo. Então ela ficou parada o olhando como se fosse a coisa mais interessante do momento, no mundo. Como se aquele menino - outrora pequeno - fosse tão mas tão diferente que nem dava para tocar.
que nem dava para sentir.
E no fundo eram todos assim e ela sabia... Diferença mesmo não tinha, ela provavelmente estava inventando histórias.
Como uma estátua, ficou o olhando, sempre o olhando. Não disse mais nada e nem adiantava tentar ser cuidadosa. Eles não eram.
Não adiantava, nada adiantava.
O olhou por mais algum tempo e se lembrou que na verdade sempre considerara a presença dele válida. Quando perguntavam dos outros Nobodies que ela conhecia, primeiro se lembrava dele. Vai saber...
Então de tanto olhá-lo percebeu o quanto ele havia crescido - até mais que ela - e que agora realmente parecia um mago louco. Ela sempre achou que ele queria parecer um mago louco, mesmo que não fosse a intenção dele.
E parecia também cansado.
E com certeza mais educado.
Por alguns instantes, pequenos instantes, se perguntou o que havia de diferente em si mesma. E mesmo que tivesse muita coisa, não deveria ser muito diferente.
Assim como era com Ainx.
Porque diferença mesmo não tinha. Ou talvez fosse história? Ela não podia negar o que os olhos viam.

- Ok, sinta-se em casa, Ainx. - ela disse em meio a um suspiro pesado e deu as costas para ele, voltando a caminhar para dentro da floresta, em direção à cabana talvez.
Confusa não estava, mas tinha algumas dúvidas e uma dorzinha estranha na cabeça.
Como um bom garoto, Ainx recolheu sua mão após a garota se distânciar.
Não era pelo fato dele ser um bom garoto, mas porque seu corpo estremecia de raiva.

Não tinha um coração para sentir a raiva, mas todas as células do seu corpo - Ou o que quer que seja que compunha o seu corpo - estavam agitadas. E para ele aquilo não era nada bom, poderia entrar em colapso a qualquer minuto. Mas nada, nada mesmo, era pior do que acabara de ouvir.

- Tudo vai dar em nada? Me desculpe, eu me recuso... - Se virou, encarando sempre o lago que deixava observar o que estava atrás de si. - Me recuso a fazer parte de um tudo em que vai virar um nada.

Conforme seu corpo parava de se agitar, o ar a sua volta ficava diferente. As vezes mais frio, faz vezes mais quente...

Quando conseguiu se acalmar - Sem chamar muita atenção, esperava -, tentou retomar o foco do que estava fazendo. Sem nunca tirar os olhos na imagem da garota que se fazia no lago, continuou, de forma tão natural, que chegava a talvez irritar ou a parecer brincadeira.

- Irônico, eu perguntar se está viva? O que isso quer dizer?

Concentrou sua mente para achar em algum momento de sua vida, algo que tenha feito ou tentado fazer para mata-la, ou mesmo para prejudica-la. Dava tanta importância quanto dava para uma folha de palavras cruzadas: Se ela estava viva, era porque ele fracassou.

E se ele fracassou, é porque não tentou o suficiente.

- Sim, já matou a curiosidade. - Murmurou entre os dentes, quase que resmugando. Se queria que ele fosse embora, teria de dizer isso diretamente. Isso era algo que sempre seria assim, não importa o quão menos Ainx ele fosse.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

( As cores não quiseram ir, haha! XD
Um milhão e seiscentos mil perdões pela demora exagerada. s/z )

Farpa

Era estranho o modo como ela o olhava agora, num silêncio mais pesado do que o clima que os dois - inconsequentes - criaram.
Ela deu um passo para trás, os imensos olhos azuis ainda presos aos dele. Afastou o corpo, a mão dele deveria sair de cima de sua cabeça.
Era injusto ele tratá-la como criança quando ele era mais novo!

- Não é um pouco irônico...? - ela perguntou, a feição ganhando uma pincelada discreta de dor, quase imperceptível. Ela tinha certeza que ele iria reparar, por isso estreitou os olhos - Você querer saber se eu continuo viva...

Ela respirou fundo e olhou para o céu, pensando em algo. Chegou até a abrir a boca para falar, mas acabou por fechá-la novamente e baixar o olhar vagamente. Aquela reação não fazia seu gênero.

- Acho que não faz diferença. No final vai tudo acabar em nada mesmo. - ao dizer isso ela deu de ombros e voltou a encarar Ainx.
Eles menores... Ela preferia. Mil vezes.
As coisas não eram tão sem sentido para ela naquela época quanto agora.
Estava perdida, e isso era claro até mesmo para as plantas que residiam no local.

- Pronto? Já matou sua curiosidade? - ela perguntou seca, mas sem tons de ofensa na voz. Provavelmente ele iria embora agora - não que fosse típico do Ainx fazer isso, mas ele não parecia mais o mesmo Ainx que ela conhecia. Agora eram todos estranhos, não eram?