segunda-feira, 12 de julho de 2010

Um punhado de escuridão invadia o gramado daquele mundo de pouca luz. Antes que qualquer um, por sorte ou azar, pudesse perceber que do pequeno casulo - Mas não tão pequeno como nos seus primeiros segundos - surgisse um Nobody. O Nobody se lembrava bem daquele lugar, mas não sabia se aquele lugar iria reconhecê-lo.

Tinha agora algo perto dos cento e setenta e cinco centímetros, algo desanimador para os tantos anos que crescera, mas ainda tinha caminho pela frente. Seu sobretudo estava completamente estragado e rasgado. Além dos diversos cortes, perdeu seu zíper, obrigando que o Nobody o usasse sempre aberto. Estava também ficando pequeno demais, então ele lhe arrancou as mangas e rasgou os ombros para que não o apertasse. Juntando com o capuz que também havia arrancado fazia certo tempo, seu sobretudo agora não passava de um jaleco, que reforçava sua aparência de pesquisador. O jaleco ficava folgadamente caido por cima de uma camisa bordo e uma calça preta, como o Nobody costumava usar sempre. Além disso, o que nunca mudava era seu ar de sono, os cabelos vermelhos cor de madeira apodrecida e os olhos azuis de vidro. As únicas coisas que ele tinha de novo, mas que já usava, era o par de botas e luvas pretas, junto com o cachecol da mesma cor, que dava duas voltas largas em seu pescoço e caia pela costas até os joelhos.

Como era de sua preferência, surgiu um pouco distante do lugar aonde queria ir, e o resto do caminho seguiu a pé. Evitava encontros surpresas e o relaxava antes de qualquer coisa. Além do mais, aquele lugar era nostálgico, do tipo de nostalgia em que ele quase nunca podia se dar o luxo de ter.

- Espero conseguir logo o que quero, antes que quebre qualquer coisa...

Se ajoelhou no beirada do lago e molhou a ponta da luva com uma gota solitária. Ao seu lado, ele conseguia ver a casa que procurava. Por cautela chata que obteve em experiências que não lhe foram agradáveis, o Nobody esperaria por um tempo no lago. Se nada o atacasse, teria uma chance de estar sozinho ali. Seria invadir a casa, buscar na floresta e sair o mais rápido possível.

"Antes que eu quebre qualquer coisa."

- Mas as coisas não teriam graça se fossem tão fáceis, certo?

Murmurava aos ares dali. Alguma coisa o destino reservara para ele, como o de costume.

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